Auxílio-Doença Negado e Retorno ao Trabalho: Como fica o Benefício?

Imagine a seguinte situação, que infelizmente é o pesadelo de muitos trabalhadores brasileiros: você sofre um acidente ou descobre uma doença grave, passa pelo médico e recebe um laudo claro dizendo que você não tem condições de trabalhar.

Você junta os papéis, vai até a perícia confiante e, dias depois, ao abrir o aplicativo, se depara com a palavra: Indeferido.

O INSS diz que você está apto, mas o seu corpo e o seu médico dizem o contrário. E agora?

Você deve engolir a dor e voltar à empresa? Quem vai pagar as suas contas se você não conseguir trabalhar?

Essa situação de “limbo” gera muita angústia. Se você está passando por esse momento delicado e quer entender como funciona o cenário de auxílio-doença negado no retorno ao trabalho, continue a leitura e saiba!

Quando o INSS dá indeferido para o auxílio-doença, o funcionário tem que voltar a trabalhar?

Essa é a dúvida de um milhão de dólares. A resposta curta é: você precisa se apresentar à empresa, mas não pode ser forçado a trabalhar se o médico do trabalho constatar que você continua doente.

Quando o INSS nega o benefício (atualmente chamado de Benefício por Incapacidade Temporária), legalmente a Previdência entende que você está curado.

Por isso, o primeiro passo é comunicar a empresa imediatamente sobre a negativa.

O famoso “Limbo Previdenciário”

O grande problema acontece quando você se apresenta na empresa e o médico do trabalho (da própria empresa) faz o exame de retorno e atesta que você continua inapto.

Nesse momento, você fica preso no chamado “limbo previdenciário”: o INSS diz que você pode trabalhar e não paga o benefício, a empresa diz que você não pode trabalhar e não te deixa entrar.

O trabalhador fica sem salário e sem benefício, de braços cruzados e sem sustento.

Quem paga o salário do funcionário quando o auxílio-doença é negado?

Se o médico da empresa confirmar que você continua sem condições de saúde para exercer suas funções, a responsabilidade de pagar o seu salário passa a ser da empresa.

O que diz a Justiça? Os tribunais trabalhistas já pacificaram o entendimento de que o contrato de trabalho volta a ficar ativo assim que o INSS nega o benefício.

Se a empresa decide barrar a sua entrada por recomendação do médico do trabalho dela, ela assume o risco e deve arcar com os seus salários e direitos enquanto a situação não se resolve.

O trabalhador não pode ser penalizado e ficar sem renda.

Por outro lado, se o médico da empresa concordar com o INSS e disser que você pode voltar, você deve reassumir o seu posto (mesmo que com restrições ou em uma função adaptada) para evitar faltas injustificadas que levem a uma demissão por justa causa.

É possível reverter o benefício negado?

Com certeza. A decisão do perito do INSS não é a palavra final e absoluta.

Se você tem certeza de que a sua incapacidade continua ali, existem duas formas de brigar pelo seu direito:

Ação Judicial (na Justiça)

Esse é o caminho mais eficaz. Ao entrar com uma ação na Justiça contra o INSS, você passará por uma nova perícia com um médico especialista nomeado pelo juiz (um perito neutro).

Na Justiça, o médico avalia seus exames com muito mais calma e leva em consideração a sua profissão real, aumentando drasticamente as chances de o benefício ser concedido.

Após aprovado, é possível receber o retroativo?

Sim! Quando você ganha a ação na Justiça ou tem o recurso aceito, o INSS é obrigado a pagar os chamados valores retroativos (os atrasados).

Isso significa que você receberá, de uma única vez, todo o dinheiro que deveria ter recebido mês a mês desde o dia em que fez o pedido que foi negado (a Data do Requerimento Administrativo – DER).

Esse valor vem corrigido com juros e correção monetária, funcionando como um acerto de contas justo pelo tempo em que você ficou desamparado.

O papel do advogado para garantir que os direitos sejam resguardados

Enfrentar o INSS e a empresa ao mesmo tempo estando doente é uma carga pesada demais para carregar sozinho.

O advogado especialista em Direito Previdenciário e Trabalhista é o profissional que vai organizar essa bagunça e te proteger. O papel do advogado envolve:

  • Notificar a empresa de forma correta: Garantindo que ela pague os seus salários caso você seja barrado pelo médico do trabalho, evitando que aleguem “abandono de emprego”.
  • Auditar seus documentos médicos: Conferindo se os laudos e exames possuem os termos técnicos corretos que os juízes e peritos exigem.
  • Entrar com a ação judicial contra o INSS: Buscando a concessão do benefício e cobrando cada centavo dos salários retroativos atrasados.

A equipe da Gregório e Ognibene Advogados Associados nasceu da parceria dos sócios Vanderli Francisco Gregório e Neriane Ognibene no ano de 2013.

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